sábado, junho 09, 2007

TRILHA SONORA


Futuros Amantes


Não se afobe, não

Que nada é pra já

O amor não tem pressa

Ele pode esperar em silêncio

Num fundo de armário

Na posta-restante

Milênios, milênios

No ar


E quem sabe, então

O Rio será

Alguma cidade submersa

Os escafandristas virão

Explorar sua casa

Seu quarto, suas coisas

Sua alma, desvãos


Sábios em vão

Tentarão decifrar

O eco de antigas palavras

Fragmentos de cartas, poemas

Mentiras, retratos

Vestígios de estranha civilização


Não se afobe, não

Que nada é pra já

Amores serão sempre amáveis

Futuros amantes, quiçá

Se amarão sem saber

Com o amor que eu um dia

Deixei pra você



Para tentar acalmar as tristezas, Chico Buarque.

sexta-feira, junho 08, 2007

TRILHA SONORA


Fazia muito tempo que eu não escutava The Clash. Por um acaso desses, baixei o melhor disco deles, London Calling, dum blog de música. Incrível como uma música pode fazer a gente sorrir de graça na rua. Incrível também como uma música às vezes diz tanto sobre um momento, uma felicidade ou uma tisteza. Acho que desde que ouvi pela primeira vez, quarta-feira, já repeti umas quinze vezes! E a trilha sonora desses dias, no meio de muitas coisas, é Train In Vain (Stand By Me). Uma música capaz de levantar o astral, por que tá difícil!


Ouça a música:







quinta-feira, junho 07, 2007

CAPEÃO COM AUTORIDADE



O Internacional venceu o Pachuca agora há pouco e é campeão da Recopa Sul-americana 2007. Numa atuação de luxo, o colorado massacrou o bom time mexicano e empilhou 4 gols (Alex, Pato, Pinga, e um contra). Grande atuação de Pinga, que já parecia que não ia dar certo. Sidnei, o zagueiro de 17 anos, deu conta do recado e pode obrigar Gallo a jogar no 352 com a chegada de Marcão. Iarley também mostrou que é jogador de decisão e cozinhou a defesa adversária. Pato confirmou a frieza de sempre na hora de definir as jogadas e hoje lutou muito quando não tinha a bola no pé.


O time teve a bravura do campeão da Libertadores e do Mundo. Mas, principalmente, mostrou evolução técnica e tática. A direção sinaliza com reforços vindos do exterior, o que pode elevar o Inter a candidato ao título brasileiro. Enfim, um grande título, que pode servir para arrumar a casa colorada.


A torcida deu um show a parte. 52 mil colorados apoiaram o time o tempo todo e vaiaram sempre o time mexicano. Foi o maior público do ano no Rio Grande do Sul. Todos devidamente coroados com as coroas distribuidas pela parceria da direção com a mulinacional Burger King. A idéia é boa e vale torcer para que o Xis do Hertz faça alguma promoção para ajudar o Inter-SM a subir para a primeira esse ano.


Sobre a invasão, acredito que criticar os torcedores que entraram no gramado é muita hipocrisia. Qualquer pessoa que estivesse próxima daquele portão não iria resistir a tentação de pisar no campo do Beira-Rio. A crítica a ser feita deve ser à segurança, pois o portão foi aberto, não pulado. Mesmo assim foi bonito ver atorcida no gramado, apesar dos pesares.


RÁPIDAS


- O Boca Juniors é o adversário do Grêmio na final da Libertadores. Como eu acreditava, passou por cima do Cúcuta, que havia ganho a primeira partidapor 3 a 1. O resultado, 3 a 0, mostrou a diferença de grandeza entre os dois times. Os colombianos eram bem armados, mas sempre me pareceram contar com uma grande dose de sorte. Com o desfalque do melhor jogador do time, Blás Perez, virou um time comum. Como me disse um amigo, o Cúcuta parecia um time de 11 Renterías. Agora é briga de cachorro grande, mas acredito que o Boca é favorito. A chance do Grêmio é tentar fazer um jogo diferente dos que vem fazendo fora de casa. Se jogar como jogou as outras partidas longe do Olímpico, volta com uma goleada para o Brasil. Mas em decisão, tudo é possível.


- O Fluminense mostrou que camisa ainda faz diferença no Brasil. Com gol do ex-gremista Roger, Renato ganhou o primeiro título da carreira e mostrou que tem estrela. Mário Sérgio continua sem ganhar nada. O estádio não estava lotado, o que mostra que o título ficou com o time e a torcida que mereceram.

segunda-feira, junho 04, 2007

TRILHA SONORA


O MUNDO É UM MOINHO



Ainda é cedo amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora de partida

Sem saber mesmo o rumo que iras tomar


Presta atenção querida

Embora eu saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és


Ouça-me bem amor

Preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos

Vai reduzir as ilusões à pó


Preste atenção querida

Em cada amor tu herdarás só o cinismo

Quando notares estás à beira do abismo

Abismo que cavastes com teus pés


Cartola

__________________________________________

Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos

Vai reduzir as ilusões à pó

__________________________________________


Com certeza, uma das estrofes mais lindas da música brasileira. Seguindo aquele pensamento mágico: se fosse para eu escrever algo que alguém algum dia escreveu, que fosse isso.

Cartola. Compositor que fundou a Estação Primeira de Mangueira, escolheu as cores da Escola, foi dono do bar ZiCartola, serviu cafezinho em repartição pública, lavou carros na madrugada do Rio de Janeiro e só gravou o primeiro disco em 1974, com 65 anos de idade. Morreu pobre. Às vezes é triste dizer que isso é o Brasil.





VOLVER


Um diretor no seu melhor momento.

Uma atriz no seu melhor momento.


Um grande filme.

INTER VENCE A PRIMEIRA NO BRASILEIRÃO 2007



O Internacional jogou contra o Náutico na noite dessa segunda-feira no estádio Beira-Rio. E, como era de se esperar, ganhou e não sofreu maiores riscos. Gols de Iarley e Alex.


Destaque para a boa atuação do lateral-direito Diego, que apoiou mais do que Ceará durante todo esse ano. Atuação terrível do árbitro, que expulsou Márcio Mossoró bisonhamente, num lance em que nem ele nem Pinga fizeram nada. O zagueiro do time do estádio dos Aflitos ficou na boa.


Alex voltou bem mas ainda carece de ritmo de jogo. Pinga rodou, rodou e mais uma vez foi até lugar nenhum. O zagueiro Sidnei teve atuação regular. Bem trabalhado pode dar certo.


Para o jogo de quinta, o colorado recuperou um pouco da auto-estima e com o apoio da torcida tem tudo para conquistar o título. Só precisa atuar com um meio campo equilibrado.


Meu time para a decisão:


Clemer


Ceará

Índio

Sidnei

Rubens Cardoso


Edinho

Wellington Monteiro

Alex

Fernandão


Iarley

Alexandre Pato


Só para constar: com a contratação de Marcão, se o Internacional trouxer um meio-de-campo muito bom, pode atuar no 352. Seria o primeiro 352 montado no colorado que contaria com os jogadores teoricamente certos (porque no futebol, ao contrário do que muitos querem sempre afirmar, não existem certezas). O time:


Clemer


Ceará (Diego é muito mais ala que ele e, se confirmar que tem potencial, pode ganhar posição. Mas por enquanto Ceará é insubstituível)

Índio

Sidnei

Marcão

Alex ou Rubens Cardoso (no 352 pode render muito - comparado a ele mesmo em qualquer outro esquema)


Wellington Monteiro (Edinho deve ser vendido)

Magal (seja o que Deus quiser)

---contatação---


Fernandão

Alexandre Pato


PAREDES

que razão
perder teu
rastro numa
parede de
pensamentos
pré-moldados?

de que adianta
plantar
pés-de-guerra
entre nós
dois?

quero
continuar
a fazer
muros de
algodao-doce
no teu
corpo

sexta-feira, junho 01, 2007

ROCKY BALBOA, O VERDADEIRO INACREDITÁVEL



Foram três os filmes aos quais assisti nessa semana:

- Babel

- O Labirinto do Fauno

- Rocky Balboa


O que posso dizer deles:


- O Labirinto do Fauno:

Um filme fantástico, está entre os melhores que vi. O diretor Guillermo Del Toro acertou a mão. Uma mistura de fábula e crítica política na medida certa. Com certeza o melhor filme dos três. A menina Ofélia (Ivana baquero) é de uma empatia absurda. Espero que continue atuando.


- Babel:

O cinema dito "independente", que de independente não tem mais nada, começa a criar teias de aranha. O lugar comum de contar várias histórias interligadas por um único incidente começa a ficar cansativo. Parece um desespero querer resumir o limbo da sociedade a uma teia de relacionamentos. É óbvio que os acontecimentos estão ligados. Mas Crash mostra isso com muito mais fidelidade. O perigo de forçar a barra assim é o de ficar refém de um tiro em Marrocos e de crianças americanas no México. Técnicamente muito bom. Roteiro abaixo da média. Atores em bom momento. Bons demais, preocupados demais com a pose perante o social. A parceria de Amores Brutos parece estar fadada a um triste final. É hora de reinventar.


- Rocky Balboa:

A coisa mais comum em rodinhas "inteligentes" é alguém descer o pau em filmes ditos "blockbusters". Pois eu confesso:

Gosto muito dos enlatados.

A principal vantagem desse tipo de filme é a de que ninguém quer fazer de conta que é inteligente. Rocky Balboa nunca foi inteligente. Stallone na minha opinião é um injustiçado. Além de sempre atuar bem nos filmes da série (com exceção do quinto), CopLand mostra a qualidade do descendente de italianos como ator.
O sexto filme da série é muito bom. Não há pessoa nesse mundo que não se segure no sofá para não dar um soco ao som da espetacular música tema, enquanto Rocky golpeia mais um infeliz adversário, ao mesmo tempo em que se livra dos fantasmas do passado. Quem vence no final não importa. O que importa é saber detalhes de produção, como o de que a luta final foi filmada numa arena lotada por 14 mil espectadores, que mesmo esperando outra luta, gritaram desesperadamente "Rocky, Rocky, Rocky" quando Balboa subiu ao ringue (após acordo com a rede de tv detentora dos direitos da luta). É, com certeza, um grande final para um grande personagem do cinema.

CALA A BOCA, CHÁVEZ!



Me lembrei daquela música do Chico e do Rui Guerra, Cala a Boca Bárbara. Mas hoje a frase tem que ser, Cala a Boca, Chávez! E o contexto, infelizmente, é muito pior.


É bem verdade que foi um cutuco desnescessário, mas faz parte do convívio democrático. O congresso brasileiro pode ser corrupto, adorar uma pizza, só ter sem-vergonhas. Mas foram todos eleitos pelo povo, e são nossos representantes. E, sendo assim, tem todo o direito de lançar manifestos, moções, votos de recomendação e ter opinião, desde que ela seja votada democraticamente dentro da Casa.


O voto de recomendação pela revisão do cancelamento da concessão da RCTV se enquadra aí. Chávez tem todo o direito também de falar o que quiser do Congresso do Brasil. Mas que bobagem que falou.O presidente Venezuelano cada vez mais se afunda no próprio ego. Dizer que o Congresso brasileiro é "papagaio dos Estados Unidos" ou coisa que o valha é dose. Principalmente vindo de quem vem. Lula agiu bem exigindo explicações do embaixador venezuelano no Brasil.
E assim vai a América do Sul. Do jeito que a coisa anda, golpes de Estado se avizinham. E a história do continente continuará dando voltas ao redor do próprio rabo.

SGT. PEPPER'S



Hoje o disco que mudou a história da música popular no século XX faz aniversário. São quarenta anos desde que os Beatles lançaram o álbum que elevou o rock and roll a uma categoria poucas vezes alcançada novamente. De cabeça, só me lembro de The Dark Side of The Moon como um disco com tamanho apuro técnico e tão revolucionário esteticamente. Obviamente que existem muitos outros, mas esses talvez sejam os mais importantes.


Depois de abandonar as apresentações em palcos, pela histeria das fãs e pela dificuldade de reproduzir fielmente os discos, o quarteto passou muito tempo em estúdios. Combinado com a ebulição criativa de Lennon, McCartney e Harrison, e com a produção refinada de george Martin, o resultado não poderia ser outro.


Rubber Soul e Revolver foram ensaios muito bem feitos, mas em Sgt. Pepper's, o tiro foi no alvo. Inovando com arranjos inteligentes e com músicas que se completavam umas com as outras, como se fossem parte de uma história, o disco era perfeito.

As canções não eram exatamente o que poderia se chamar de rock tradicional. Lucy In The Sky With Diamonds, When I'm 64, With a litle Help For My Friends. Essas e todas as outras logo viraram clássicos da música popular. Sem contar a fantástica capa, uma fotomontagem com personagens importantes da cultura mundial, como Bob Dylan, Marlon Brando, Marilyn Monroe e Karl Marx.


Conheci o álbum da melhor forma possível. Já iniciara minha coleção de discos dos Beatles e Sgt. Pepper's era um desejo antigo. Faz muito tempo isso, e na minha estante já estavam Please, Please Me, Magical Mystery Tour e With the Beatles. Já conhecia a fama, mas a primeira audição foi incrível. Foi como uma viagem, sensação que tive depois de novo ao ouvir outro clássico: Abbey Road. Mas isso é assunto para outro dia.

quinta-feira, maio 31, 2007

INTER ARMA RETRANCA E SAI DERROTADO



Se existe um nome para a postura do time do Internacional contra o Pachuca na final da Recopa este é "RETRANCA".


A muito tempo não via o colorado jogando tão recuado. O Inter jogou no 3-6-1 e no 4-5-1.Postura que poderia ser considerada inteligente, visto o gol nos primeiros minutos de jogo. Pato teve uma chance e fez um gol. Mas com certeza será criticado pela sua falta de participação, o que é uma bobagem. Depois do gol, o time da Capital gaúcha teve bons momentos e conseguiu levar o jogo de forma equilibrada. Mas o recuo foi muito grande e na metade da primeira etapa, num lance de azar o time mexicano empatou. E dali até os 45 minutos o Inter não passou do meio do campo. No segundo tempo, mesmo cenário. Retranca e balão para frente para tentar o contra-ataque com Pato. Mas o garoto cansou, obviamente. E foi substituído por Iarley. Fernandão jogou como terceiro volante desde o início da partida, completando o meio de campo formado por Edinho, Wellington Monteiro, Maycon (que não entrou em campo) e Pinga ( às vezes de atacante, lutou muito, mas parece que não conseguirá jogar nunca). Um meio de campo digno de um show de horrores.


Com todo esse recuo, obviamente que o Pachuca virou o jogo, em falsa falha do zagueiro Mineiro. Falsa falha porque Mineiro não consegue jogar na sua posição, visto que Rubens Cardoso pensa que é Gilberto. Pena que tem jogado um futebol de Cleomir. No final do jogo, com a entrada de Christian, o Inter melhorou. Num lance dos mais esquisitos do ano, o centro-avante estufou as redes. O juiz, que depois pediria desculpas pelo erro ao técnico Gallo (segundo o treinador), anulou a pedido do bandeirinha, que não sabia onde deveria ficar e, segundo Iarley, formou a barreira sem pedido dos jogadores colorados. Falha do juíz e do bandeira. Na repetição da falta, Rubens Cardoso acertou o travessão. Fim de jogo, o Inter comemora e deve comemorar o resultado. Para o jogo da volta, deve-se repensar a escalação. Vale ressaltar a questão da altitude, que prejudicou a equipe no preparo físico.


No jogo da volta, com o apoio da torcida, o Inter tem muitas chances reverter esse resultado. Resta saber se coseguirá equilibrar o time, que parece que ou ataca ou defende. Ou não faz nem uma coisa nem outra.


Considerações


- Insuportável a transmissão da TV Com. Além do amadorismo técnico, o tratamento dispensado ao time é muito exagerado. Em outras épocas, jogar assim era inteligente e ser copeiro.

- Fernandão foi sacrificado como volante. Quando Gallo alterou o time, todo o tempo foram dois atacantes. Não entendi. Deu entrevista no final de jogo, com muita inteligência, como sempre, o que inacreditavelmente é motivo de irritação para alguns.

- Não ouvi revolta com o erro do árbitro, que prejudicou, sim, o time colorado. O comentarista da Gaúcha chegou ao ponto de dizer que o árbitro acertou no lance polêmico e não há nada a corrigir. Não interessa se o time jogou bem ou não nessa hora. Aposto que se o Inter tivesse massacrado e acontecesse o mesmo lance, haveria revoltas.

- Maycon não pode nem entrar no estádio Beira-Rio. O volante simplesmente não encosta na bola, e hoje nem faltas fez.

- Ceará está mal, parece estar mais cansado do que em má fase.

- Alex deve voltar ao time.
- Clemer voltou para onde não deveria ter saído.

CHÁVEZ & RCTV




Como todoas as coisas que envolvem a questão chamada liberdade de imprensa, o caso RCTV e o governo do pseudo-ditador da Venezuela é polêmico. Não me coloco entre aqueles que pensam que a mídia é inatingível. Os países são soberanos, e para o bem ou para o mal Chávez foi, tecnicamente, eleito.

Acredito que falte consciência para a sociedade de que na Venezuela, assim como no Brasil, uma emissora de televisão ocupa um canal de transmissão que é propriedade do Estado, em última análise, da sociedade. Sendo assim, essas redes estão sim, sob controle do Estado. Não concordo com a postura autoritária do governante venezuelano e muito menos com grande parte das ações dele como presidente. Porém, tenho consciência de que nesse caso talvez o furo da bala seja mais embaixo.

Em 2002, durante o malfadado golpe na Venezuela (prontamente aceito pelo embaixador americano no país), a RCTV serviu de palanque para os militares golpistas, além de fazer parte do novo governo que assumiu e ter papel fundamental no andamento do golpe.

Partindo desse princípio da concessão, se a RCTV fosse um jornal, que não faz uso de nenhuma propriedade do governo, nenhum problema em ser golpista. Mas, me parece meio absurdo uma empresa que claramente atentou contra a democracia, posar de coitadinha numa situação como essa. Quer ser golpista, que seja. O fato é que esse tipo de postura acarreta arcar com as consequencias óbvias.

Com relação a conduta e cobertura da mídia brasileira:
Todas as empresas repudiaram o fechamento e isso é natural. Porém as informações sempre vêm incompletas. Quase nunca é lembrado, com o devido peso, o acontecimento do golpe em 2002.

Em resumo, acho que vale uma reflexão da mídia sobre o corporativismo, além de necessitarmos todos de uma reflexão. Canais de tv e estações de rádio são propriedades públicas, e essas concessões acabam e devem ser renovadas, seja para o mesma empresa ou para outra. Esse conhecimento é o que esse episódio deveria trazer de bom, mas não está trazendo e nem trará.


Quanto a situação venezuelana, é difícil fazer um julgamento com certezas, pois a polarização de opiniões sobre assunto é muito grande, e tanto as opiniões dum lado como as do outro vêm carregadas de um viés ideológico enorme.






segunda-feira, maio 21, 2007

Pérolas!













Vendo os gols da série B me deparei com essa:
Getúlio Vargas é o goleiro do Fortaleza.
Na hora me lembrei do goleiro Fernando Henrique, reserva do Fluminense, que inclusive atuou contra o Grêmio nesse domingo.
A bobagem da coisa é que Getúlio Vargas era do Flamengo. Não tive saco de procurar, mas deve ter havido pelo menos um Fla-Flu com Getúlio e FH no gol.

PS 1: Dado espetacular sobre FH no site do Flu:
"Jogos: 121 / Gols sofridos: 172"
Que média!

PS 2: Há uma promoção fantástica na loja do site do Fluminense:
"Compre uma manga longa oficial e ganhe um chapéu australiano! Por apenas R$ 139,00"
Imagina um infeliz de camiseta manga longa do fluminense e com um chapéu australianoem Copacabana, só afetando! Que fase!



Derrota, de Novo


Como diria um conhecido da mídia gaúcha: "O Inter jogou como nunca, e perdeu como sempre!".

Mais uma derrota, uma posição constrangedora no Campeonato Brasileiro 2007. Vi somente o primeiro tempo do jogo e confesso que estava gostando do que via. Porém no segundo tempo Renan foi o nome do jogo, e quando o goleiro é o nome do jogo, já sabe...

Acho que o Gallo ainda pode acertar, acredito ser ele um treinador de idéias novas, que com algum tempo pode encaixar esse time do Inter. Mas é fundamental que a direção traga reforços.


A questão Vargas:

Vargas é um bom jogador, mas na minha opinião é mais propaganda do que futebol mesmo. Esteve machucado grande parte do ano passado e jogou uma ou duas partidas bem. Tem o crédito do segundo tempo do mundial... mas ali os deuses do futebol estavam do lado vermelho. O grande problema é a substituição. Se o Inter realmente anunciar Magrão, pode dar o boné e tchau, tchau Vargas. Magrão joga no mínimo três vezes mais que o Colombiano. Mas, se não contratar um jogador desse nível, é bom a torcida se preparar para os horrores de um meio de campo com Maycon e Edinho.


A questão imprensa:

Tenho acompanhado esse racha entre Inter e imprensa.

Clemer se excedeu. Fato.

A direção tem uma má relação com a imprensa. Fato.

A reportagem que cobre o Internacional é mais agressiva que a que cobre o Grêmio (vide ano passado). Fato.

A imprensa deve fazer auto-crítica com mais frequência (vide Abel ano passado, e muitos jornalistas que até hoje não reconhecem os méritos do treinador. Imagina se fosse um técnico gaúcho). Fato.

É uma idiotice impedir um profissional de trabalhar. Fato.


Acho que o principal de tudo é que não existem santos nessa história. Todos têm que botar a cabeça no travesseiro e refletir sobre os atos, mas se tem um lado que não pode ficar fazendo bobagem, esse é o do Internacional. A instituição é muito maior do que administradores incompetentes. O julgamento da conduta da mídia quem fará é o consumidor.


A questão Recopa:

Não tem desculpa para tão pouca divulgação de uma disputa que é, sim, importante (vide finais entre Boca e São Paulo ano passado).


Uma última: apesar do erro, acho que o zagueiro TITI tem futuro, é só trabalhar o emocional. pelo menos não erra todos os passes que dá. E Mineiro parece ser um bom jogador também. se realmente joga o que jogou sábado, é melhor que todos os outros laterais do Beira-Rio pós-Jorge Wagner.


segunda-feira, maio 14, 2007

Prá Ver a Banda Passar...



Engraçado como são as coisas. Hoje por acaso passei na Feira do Livro e ouvi, lá longe, o som de metais ensaiando. Cheguei perto da praça de alimentação e eis que me deparo com a banda da Brigada Militar se aquecendo para detonar a metaleira.


Sempre achei fantástico o som de bandas marciais. Me lembro que quando eu era guri, estudava em um colégio que desfilava todos os dias 7 e 20 de setembro na Avenida Cavalhada, em Porto Alegre. A minha escola era pequena, e não tinha banda. Era sempre aquela coisa sem graça de fantasia e faixas (apesar de que na época dos caras-pintadas foi divertido o desfile). Mas eu lembro de ver as outras escolas maiores desfilarem as suas bandas, além das bandas militares e da Brigada. Ficava paralisado com aquele som fantástico que saia dos naipes de metal misturados com os pratos e tambores, sempre tocando uma melodia conhecida.


Pois hoje me vi no rosto de cada criança que lotava a praça de alimentação para ver a banda da Brigada de Santa Maria. Aquela gurizada de colégio, os que passeavam com os pais e também os meninos de rua, com os olhinhos vidrados, brilhando de encantamento pelos som poderoso que mais de vinte metais fazem. Tuba, trumpete, trombone, prato, tambor, clarinetas, além do maestro bonachão com cara de cantor de conjunto que toca no Clube dos Coroas. Tudo conspirando para um momento mágico, que tenho certeza não sairá da cabeça dessa criançada tão cedo.


E é aí que me vem o pensamento que tenho há tempos e que tanto me irrita: por que não é obrigatório o ensino musical nas escolas no Brasil? Vendo o quanto a criança se envolve quando o que está em questão é música e vendo projetos como o da Oficina de Percussão darem tão certo, não consigo entender por que o poder público não investe em música, é tão simples! Um professor de música por escola seria o suficiente. Uma aula por semana seria o suficiente. Uma banda marcial (ou de qualquer outro estilo) por escola, seria o suficiente.


Quantos traficantes, quantos trombadinhas, quantos falcões, quantas crianças sem futuro poderiam encontrar na música um caminho? Qual guri ou guria que não gostaria de tocar numa banda? E, mesmo que fosse só uma criança que não virasse trombadinha, mesmo que fosse só um guri que não virasse traficante, mesmo que fosse só uma criança nesse país todo que não fosse para o mau caminho por causa da música, mesmo assim, já valeria a pena.


Só para constar: Uma pena eu não estar com uma câmera, porque não existe uma foto que preste da Banda da Brigada no google. Incrível!

Estréia Com Derrota, A Velha Rotina


O Internacional estreou no Campeonato Brasileiro 2007 perdendo para o time misto do Botafogo pelo placar de 3 a 2. Repetindo o que acontece há nove anos (a última vitória em estréia foi no longíquo campeonato de 1998, 1 a 0 num GreNal, gol de Christian), o Inter não soube se encontrar em campo no jogo de abertura do certame, e acabou dando um presente de grego para as mamães que assistiram de graça ao jogo no estádio Beira-Rio.
Numa tarde de muito frio, chuvosa na maior parte do tempo, quase quinze mil corajosos torcedores se aventuraram a enfrentar o vento gelado da beira do Lago Guaíba. E viram o time da casa começar melhor, com objetividade e marcação forte. O técnico Gallo optou pelo 3-5-2 na sua estréia dirigindo o time. Edinho atuou recuado, junto a Índio e ao estreante Sidnei (de atuação regular), e o meio de campo contou com W. Monteiro, Vargas e Fernandão mais a frente. É o desenho de time que ganhou o Mundial, mas me parece que não voltará a funcionar. Pato abriu o placar aos quinze minutos, depois de um cruzamento de Ceará e falha completa da defesa botafoguense. A partir daí, o Botafogo foi mais perigoso em contra-ataques, sempre dominando o meio-de-campo. O Botafogo empatou aos 33, em cobrança de falta de Juninho, numa falha coletiva: dos jogadores da barreira, que abriram, e do goleiro Renan, que aceito no seu canto. O gol acordou o Inter, que perdeu um "calhamaço" de gols até o fim da primeira etapa, apesar de o Botafogo manter-se insinuante nos contra-ataques.
O segundo tempo mal começa e o zagueiro Alex é expulso, por falta violenta em Pato (segundo amarelo). Na cobrança da falta, a defesa do alvi-negro faz a linha burra, e Fernandão perde um gol inexplicável. Como quem não faz, leva, o Inter levou. Aos 7 e aos 13, André Lima estufa as redes. Os dois em falhas infantis da defesa colorada. Entre um gol e outro, saiu Sidnei e entrou Pinga. No primeiro, cruzamento para a área, indecisão dos zagueiros e de Renan, André faz de cabeça. No segundo, linha burra, André entra sozinho e encobre a saída de Renan: 3 a 1 Botafogo, vaias no Beira-Rio. Com o resultado, Gallo vai para o tudo ou nada: tira Rubens Cardoso que não encostara na bola durante a partida e coloca Christian (substituição acertada, à meu ver). Aos 24, Pinga lança Christian que domina dentro da área e com categoria marca para o colorado: 3 a 2.
A partir daí, Cuca retrancou o Botafogo e armou uma verdadeira trincheira à frente da área do time carioca. O inter pressionou desesperadamente, desordenadamente e sem qualidade. Resultado: derrota colorada nas duas estréias da tarde: a de Gallo, e a do time no Brasileirão.
Difícil achar um ponto positivo na partida, talvez a atuação de Pinga (com muito receio digo isso). Pro próximo jogo, Gallo vai ter que repensar a escalação do time, colocando um meia de verdade (talvez Pinga) e Fernandão de volta ao ataque ao lado de Pato. Abaixo, as avaliações individuais:
Renan - Mal. Pareceu nervoso, sentindo o peso da titularidade. Falhou nos dois primeiros gols.
Ceará - Parece fora de ritmo. Pelo menos cobrou a falta que resultou no gol de Pato.
Índio - Regular. O "menos ruim" da defesa.
Sidnei - Regular. Pareceu nervoso.
Edinho - O pior jogador em campo. Perdido na função, voltou a mostrar falta de habilidade e excesso de violência em lances infantis.
Rubens Cardoso - Não fez nada em campo.
W. Monteiro - Muito confuso, parecia marcar Vargas a maior parte do tempo.
Vargas - Muito confuso, parecia marcar W. Monteiro a maior partedo tempo. Não acredito que sejatodo esse jogador que a mídia divulga. Até agora poucas atuações realmente boas (é verdade que prejudicado por esquemas).
Fernandão - Perdido em campo, luta muito, mas não é da função. Pedreu gols incríveis. A renovação de contrato pode estar atrapalhando também.
Iarley - Muito mal. Prejudicado pelo esuqema, ele e Fernandão ficam anulados.
Pato - Sempre perigoso, o melhor em campo. Acabou o jogo como terceiro homem do meio.

Pinga - Boa movimentação. Melhorou o meio (ou melhor, só existiu meio-de-campo quando ele entrou). É da função.
Christian - Entrou a fim de jogo. Fez um gol e teve uma chance de cabeça.
Mossoró - Entrou quase no fim e não acrescentou muito. Uma boa arrancada pela direita.

Alexandre Gallo - Estréia desastrada, talvez ainda refém de uma formatação de time e de vestiário implementada pelo Abel. Não seria justo responsabilizá-lo pela derrota. Faltam reforços.

Era isso e um abraço.

domingo, dezembro 31, 2006

resolucoes


Neste ano novo eu quero: encher a cara num dia de semana, a tarde, e chegar para uma aula ou prova sem graca; comprar tres caixas de cerveja para um churrasco decidido em cima da hora com muitos amigos; ficar umas tres horas jogando conversa fora no bar do portuga na 24 horas; assistir o colorado ser campeao, ou nao, porque o que importa e estar no clima de 50 mil pessoas que so pensam na mesma coisa; me irritar lendo blogs de jornalistas inuteis, de jornalistas de extrema-direita, de jornalistas anti-pt, de jornalistas muito pt e assistir aos comentarios do lazier martins; matar quase todas as aulas de quinta e quarta-feira para assistir aos jogos da libertadores no bar do edson; fazer apostas, perder, ganhar, cumprir e nao cumprir; reavivar uma amizade que parecia meio perdida mas que sera de novo em 2007 o que foi em outros tempos; tomar porres espetaculares e me esquecer da metade das coisas que aconteceram; discutir com meus pais sobre politica e ver que todo mundo tem um pouco de razao, sempre, e todo mundo fica meio louco defendendo suas ideias, sempre; defender o abel, dessa vez com o apoio de determinados oportunistas de plantao, que engoliram muita coisa em seco nesse ano que passou; tirar muito sarro de uns gremistas que me encheram o saco nesses ultimos anos; reclamar de muitas coisas e manter esse meu aspecto de reclamao; dar muitos beijos na minha mulher e esperar que esse ano seja ainda melhor; me fazer de durao e nunca expressar meus sentimentos, mesmo sabendo que se eu nao fosse assim ia ser muito mais facil para os outros perceberem o quanto sao importantes para mim; esperar que as expectativas de algumas coisas se consolidem, que outras nao se consolidem; nao assistir pela cnn o enforcamento de ninguem, voltando a idade media em pleno seculo 21; gracas a deus nao ter que votar para prefeito (essa tortura, so em 2008); ver livros e cds de amigos lancados, com muito sucesso; ver textos e artigos de amigos publicados, com muito sucesso; encontrar com a maior frequencia possivel as pessoas que estarao longe fisicamente; desejar que todas as empreitadas e mudancas de vida deem certo; que meu tio passe pelo menos meio ano sem ter que ficar em funcao de hospital; que minha tia e minha avo se acertem, porque, como vi em um poster num bar aqui, “life is too short to drink cheap beer” (apesar de que tenho bebido muita cerveja barata...); que meu pai volte o mais cedo possivel para a nossa terra (isso soa muito brega, mas so quem fica longe sabe o quanto vale um aperto de mao ou um “tudo bem”); que alguns atritos conhecidos entre filhos e pais se resolvam; que eu consiga trabalho enquanto estou aqui (qualquer coisa) e que eu consiga trabalho quando voltar (na area, meu deus); enfim, ha muitas coisas mais, talvez mais importantes, talvez menos importantes, mas o que me ocorreu agora foi isso, mas o mais importante e que nesse ano que comeca agora, muito amor, paz, saude e felicidade estejam junto de todos nos, nao permitindo que coisas pequenas facam com que nos esquecamos o quanto as pessoas que nos cercam sao importantes e a nossa razao de ser.

(perdoem-me pela falta de acentos...)

domingo, novembro 26, 2006

a afirmação do blues

Charlie Patton e Son House ficariam orgulhosos. Acostumados com as agruras da pobreza, do racismo e da falta de perspectiva nas plantations (fazendas escravistas do sul dos Estados Unidos), os pais do blues, que cantavam para espantar seus fantasmas e suas tristezas, abririam um longo sorriso desdentado, seguido de um aceno de mão cansado, se pudessem sentir o clima do festival Cesma In Blues (CIB), que esse ano chegou à sua quinta edição e, ao que tudo indica, atingiu a maturidade, consolidando-se no cenário musical do Estado.

Não foi um caminho fácil. Até chegar a essa consolidação foram erros, acertos e muita insistência. Maior evento de blues do interior do Rio Grande do Sul, o CIB nasceu de uma decepção.

A idéia de reunir três bandas locais, na primeira edição do evento no Teatro Treze de Maio, surgiu de uma malfadada apresentação junto ao Brique da Estação, no largo da viação férrea de Santa Maria. Problemas técnicos frustraram os músicos das bandas Red House e Daniel Rosa & Saturno Blues, numa tarde modorrenta de outono, em 2002. Encucado e decidido a apoiar a emergente cena blueseira da cidade, o assessor de comunicação da Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria – Cesma, Paulo Teixeira, planejou um espetáculo com as duas bandas que iriam se apresentar no Brique, acrescidas da Paulo Noronha e os Watts. Apresentação, essa, que acabou por lotar o Treze de Maio. Era o primeiro sinal de um possível sucesso, com aprovação do público, mas com uma única ressalva: todos queriam mesas, cerveja, bourbon e fumaça. Enfim, o público queria festa.

Festa o público queria, festa o público teve. O festival passou por várias casas noturnas, sempre com alguma inovação, mudando nomes no palco, mas mantendo-se fiel às raízes do gênero que veio das margens do Rio Mississipi. Nomes como Andy Boy (Porto Alegre), Mustache Maia (Florianópolis) e Blues Power Trio (Rio de Janeiro) se apresentaram no CIB, consolidando o nome do evento na cidade. Para Paulo Teixeira, produtor de todas as edições, cada experiência trouxe um aprendizado novo, que levou até o novo formato: “esse foi o CIB que mais fluiu, acredito que isso encaminha um formato ideal”, afirma. Formato esse que foi inovador e recebeu aprovação total do público.

A grande sacada do Cesma In Blues 5 foi a criação da Cesma Blues Band (CBB), que tocou em um palco alternativo, nos intervalos dos shows do palco principal. Formada por músicos de Santa Maria que moram em outras cidades ou residem aqui, a Cesma Blues Band reeditou os bons momentos das jam sessions que habitaram o extinto bar Sanduba, sucesso de público à época. A idéia do palco alternativo foi do baixista Nenê Vianna, que hoje mora em São Paulo: “eu não tava a fim de ir num lance massa, que tinha quatro bandas, e no intervalo ter o clima quebrado por um cd”. Paulo Teixeira ressalta a importância da CBB: “resgatamos a valorização do músico local, o que sempre foi a idéia do CIB”.

E foi justamente esse espírito de música sem parar que contagiou a todos. Quando o público pressentia que um show do palco principal ia acabar, já começava a chegar perto do palco secundário. E a música não parou um só minuto. A energia de todas as bandas contaminou quem estava presente, principalmente os músicos. Para Paulo Noronha, que participou dos dois primeiros CIB, e integrou a CBB (junto a Daniel Rosa, Matheus Koester, Bruno Tessele e Nenê Vianna), o reencontro foi um momento especial: “Foi muito bom. Todos ali se gostam, são bons músicos. Revivemos uma época muito boa, e gostei muito de ser lembrado, apesar de hoje não estar mais tocando muito blues”. Nenê confirma o sentimento geral dos integrantes da CBB: “Foi maravilhoso tocar com os caras. Primeiro, porque havia um tempo que a gente não se encontrava; segundo, porque dava pra ver que tava todo mundo muito feliz com o som que a gente tava fazendo e, conseqüentemente, dava mais vontade de tocar”.

No palco principal, se revezaram quatro bandas, duas de Santa Maria e duas forasteiras, mantendo a tradição do festival de trazer grupos de fora da cidade. A música começou exatamente a meia-noite, com os primeiros acordes da santa-mariense Red House, única banda a tocar em todas as edições do CIB. Foi um show de composições próprias, que estarão no próximo CD, com lançamento previsto para março próximo (a banda já tem um disco independente lançado em 2004, One More Drink, One More Night, com tiragem esgotada). A segunda atração foi a Azambuja’s Blues Band, de São Leopoldo, comandada pela vocalista Alice, uma mistura de Grace Slick (vocalista da banda americana Jefferson Airplane) e Maria Rita, apresentando uma presença de palco impressionante.

A seqüência ficou por conta da banda local Arthur Aguiar e os colhedores de algodão, que deu alguns toques de psicodelia, mesclados ao clima Steve Ray Vaughan do vocalista e guitarrista Arthur, um discípulo do bluseiro texano. Fechando a noite, a banda de Sorocaba, Marcos Boi & Mad Dog Blues trouxe um blues festivo, fazendo o público balançar o esqueleto na pista.

Como não poderia deixar de acontecer, todos os músicos subiram ao palco no final (inclusive alguns que não foram convidados), numa grande jam session, que fechou a festa, depois de quase cinco horas ininterruptas de muito blues. Para Márcio Grings, gaitista Red House, o formato é definitivo: “Acho que esse foi o melhor CIB. É o formato certo”, afirma, lembrando da relação da banda com o festival: “A história da Red se confunde com a do CIB. Temos o maior orgulho de ter tocado em todos as edições”.

Quem não foi ao evento, ou quem foi e quer rever os bons momentos poderá alugar o DVD do CIB 5, que será lançado no dia 27 de dezembro, na última sessão do ano do Cineclube Lanterninha Aurélio, no auditório da Cesma. Segundo Marcos Borba, um dos produtores e responsável pelo audiovisual, registros visuais e sonoros não faltam: “Trabalhamos com uma equipe de doze profissionais, todos com muita vontade de estar ali. Temos mais de três horas de bastidores, além dos shows. Vamos valorizar muito esse material”. Para Paulo Teixeira, os objetivos estão sendo alcançados com o projeto: “Está havendo uma grande repercussão para a Cesma, que é um dos objetivos. Essa edição consolidou o retorno institucional e firmou a Cesma como produtora de um grande evento”.

Agora é esperar o Cesma In Blues 6, escutando Robert Johnson e Muddy Waters, com um copo do clássico Jack Daniels ao lado da poltrona.

terça-feira, novembro 21, 2006

Atrasos


Interessantes essas notícias sobre os atrasos intermináveis dos vôos nos maiores aeroportos do Brasil. Todo o viés por onde se analisa essa questão pode trazer umas conclusões esclarecedoras (ou não muito), mas tem uma que me parece ser a mais irônica.
Deu no noticiário, filmada por um dos manifestantes (provavelmente por sua própria câmera digital), a invasão da pista do aeroporto de Curitiba, por passageiros revoltados com os atrasos de seus vôos.
Aqui cabe culpa de todos. Do governo que não resolve a situação, do exército que não consegue lidar com uma rebelião dentro das suas trincheiras, das companhias aéreas, que deixam seus clientes, que pagaram muito caro pela passagem, a ver navios (com o perdão da ironia), sem o mínimo de informação.
Mas o engraçado de tudo é o protesto. Observando as imagens, parece claro que as pessoas que ali estavam são, no mínimo de classe-média, bem vestidas, bem instruídas, com acesso à informação. Devem assinar um ou dois jornais, mais uma revista semanal e ter acesso à internet banda larga. Então o que é engraçado? A invasão. Essas mesmas pessoas, de classe média alta, provavelmente reprovam, quando vêem na TV, a invasão por sem-tetos à um prédio abandonado, um protesto de uma comunidade carente que bloqueia uma estrada, criticando as altas taxas de criminalidade ou coisa que o valha. Ou quem sabe um quebra-quebra ou linchamento, fruto da revolta pelo assassinato de uma pessoa de bem numa vila qualquer.
- Que absurdo! Nada justifica essa selvageria!
- Por que “essa gente” não protesta de outro jeito?
- A liberdade dos outros termina onde começa a minha!
- Quem “essa gente” pensa que é, trancando a estrada desse jeito?
- A polícia tinha que descer o cacete nessa gente!
Frases como essa são ditas todos os dias, repetidas em todos os cantos do Brasil. A diferença agora? Doeu no de quem não costuma doer. Não sei quantas vezes algo como isso aconteceu, mas não é muito comum nesse país pessoas com maior poder aquisitivo passarem por esse tipo de situação. Mas estão (ou estamos, para não ser hipócrita) passando. Talvez possamos tirar uma lição boa dessa história toda. Até porque, afinal, no dos outros é refresco. E não faz mal!

sábado, novembro 18, 2006

reflexos

vira em
azulejos
de solidão

rejuntes
coloridos
do teu
pescoço

ladrilhos
ladras
escapando
dos
dedos

cintura
atoalhada

tu,
meio
mambembe

eu,
meio
circense

vira em
azulejos
de solidão

tua
pupila
anti-reflexo

espelhada
no
meu
rosto...