o inter jogou bem. mas não adiantou. eu odeio comentarista que marca técnico e faz dos seus comentários uma metralhadora contra o treinador. e, na maioria das vezes, é contra o treinador do colorado. vide mano menezes. é ídolo aqui. e é muito fraco. mas o abel fez uma que não merece complacência. o time colorado dominava a partida e tinha o controle quase absoluto do jogo. em alguns momentos demonstrou os ditos “apagões”, mas teve uma atuação interessante. as substituições foram equivocadas e chamaram o glorioso maracaibo para o campo de ataque. não tem explicação deixar um jogador como rubens cardoso em campo pra tirar o tinga (ou qualquer outro). aliás esse é um dos dois grandes problemas do inter (nem quero falar dos dois primeiros volantes): rubens cardoso. o outro, e mais preocupante, é michel. muito bonito que o abel queira recuperar o jogador, que foi mal tratado pelo muricy. muito bonito, mas o michel ganha uns trinta mil reais e não está jogando o suficiente para ser titular. ele que vá num psicólogo se tratar. até pode-se dizer que é mal escalado, pois fica sem função em campo, correndo de um lado para o outro. mas, mesmo mal escalados, jogadores como jorge wagner ou mossoró dão respostas muito mais positivas. ou melhor, dão resposta. sim, por que ontem o michel não entrou em campo. então, dividam-se as responsabilidades. o treinador, que escala, e o jogador, que não tem capacidade.
mas, apesar desses percalços, algumas coisas positivas apareceram ontem. fernandão e iarley jogaram bem, não se intimidando. ceará foi uma grata surpresa. não só pelo gol, mas pelo ímpeto e força de vontade, junto com qualidade nas jogadas (o que anda faltando ao élder “apagão” granja”) e, principalmente, a garra do time. fazia tempo que o time do inter não era tão aguerrido. e aí é que está o maior destaque do colorado na partida: fabinho. mesmo com edinho se sobrepondo, o volante que veio do santos deu passes certos, correu muito e encarou os venezuelanos de frente quando foi preciso.
de resto, resta (com o perdão da redundância) rezar para que o maracaibo tire uns pontinhos de pumas e nacional, que o abel abra os olhos e que não sejam esses dois pontos deixados na Venezuela importantes na classificação do alvi-rubro.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
férias
saio de férias por uns dias. vamos pruma prainha do uruguai fazer de conta que paraíso existe. se der ponho umas fotos aqui despues.
um abraço a todos os quatro leitores desse blog.
um abraço a todos os quatro leitores desse blog.
situações surreais
santa maria. domingo, 29 de janeiro de 2006. dois casais de amigos resolvem, no final de tarde, subir a estrada do perau para tomar uma cervejinha em um bar que fica quase chegando em itaara. a estrada é pequena, com pouco movimento e, ao lado do bar, os carros estacionam a beira da via. conversa vai, conversa vem e a vista continua linda, com direito a garganta do diabo e cidade no horizonte.
começa a anoitecer e, surpreendentemente, chega uma viatura da brigada militar, com direito a giroflex ligado. o que num primeiro momento é saudado, torna-se muito estranho. os policiais descem do carro, cacetete na mão e cara de mau, e começam a anotar as placas de alguns carros. sem entender nada, todos começam a entrar nos carros e mover-se, até que alguém descubra o que está acontecendo. passam alguns minutos e, para incredulidade geral, descobre-se o motivo das “multas”: a grande infração dos marginais que ousaram estar ali era estacionar o carro em sentido contrário. pasmem. óbvio que não deu em nada. os brigadianos ficaram um tempo lá, fizeram de conta que anotaram umas placas, fizeram de conta que cuidavam da segurança e foram embora, com a cara de mau e seus cacetetes.
corta para cerca de dois meses atrás. amigos aproveitam a noite quente na lancheria santa fé, em frente ao shopping da cidade. nesse mesmo shopping fica uma casa noturna muito frequentada. passa de uma da manhã e o movimento em frente a boate, na avenida, começa a intensificar. formam-se grupos de jovens, bebendo cerveja e conversando até que, como não podia deixar de ser, começa uma briga. as coisas ficam perigosas quando alguém começa a bater com um capacete na cabeça de um vivente caído.
todos na lancheria acompanham a cena com apreensão, enquanto mais do que quatro entram em contato com a emergência (190) da polícia. um dos diálogos com o profissional preparadíssimo:
- brigada militar.
- cara, to aqui na frente do absinto e ta feia a coisa.
- pois é, tu não é o primeiro a ligar
- é, eu vi que tem mais gente ligando, só que agora tão quebrando a cabeça dum cara com um capacete.
- positivo.
- vocês não vão mandar ninguém aqui.
- não tem viatura.
- como assim cara? tão matando um ali.
- isso não é nada perto do que ta acontecendo na cidade.
- mas não interessa o que ta acontecendo na cidade. a gente paga imposto pra ter uma viatura aqui cara.
- pode esperar sentado então.
não é preciso dizer que a viatura não apareceu. vai ver estavam passeando numa certa estradinha da serra, multando os carros estacionados na contra-mão. esses sim são uma ameaça a segurança.
começa a anoitecer e, surpreendentemente, chega uma viatura da brigada militar, com direito a giroflex ligado. o que num primeiro momento é saudado, torna-se muito estranho. os policiais descem do carro, cacetete na mão e cara de mau, e começam a anotar as placas de alguns carros. sem entender nada, todos começam a entrar nos carros e mover-se, até que alguém descubra o que está acontecendo. passam alguns minutos e, para incredulidade geral, descobre-se o motivo das “multas”: a grande infração dos marginais que ousaram estar ali era estacionar o carro em sentido contrário. pasmem. óbvio que não deu em nada. os brigadianos ficaram um tempo lá, fizeram de conta que anotaram umas placas, fizeram de conta que cuidavam da segurança e foram embora, com a cara de mau e seus cacetetes.
corta para cerca de dois meses atrás. amigos aproveitam a noite quente na lancheria santa fé, em frente ao shopping da cidade. nesse mesmo shopping fica uma casa noturna muito frequentada. passa de uma da manhã e o movimento em frente a boate, na avenida, começa a intensificar. formam-se grupos de jovens, bebendo cerveja e conversando até que, como não podia deixar de ser, começa uma briga. as coisas ficam perigosas quando alguém começa a bater com um capacete na cabeça de um vivente caído.
todos na lancheria acompanham a cena com apreensão, enquanto mais do que quatro entram em contato com a emergência (190) da polícia. um dos diálogos com o profissional preparadíssimo:
- brigada militar.
- cara, to aqui na frente do absinto e ta feia a coisa.
- pois é, tu não é o primeiro a ligar
- é, eu vi que tem mais gente ligando, só que agora tão quebrando a cabeça dum cara com um capacete.
- positivo.
- vocês não vão mandar ninguém aqui.
- não tem viatura.
- como assim cara? tão matando um ali.
- isso não é nada perto do que ta acontecendo na cidade.
- mas não interessa o que ta acontecendo na cidade. a gente paga imposto pra ter uma viatura aqui cara.
- pode esperar sentado então.
não é preciso dizer que a viatura não apareceu. vai ver estavam passeando numa certa estradinha da serra, multando os carros estacionados na contra-mão. esses sim são uma ameaça a segurança.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
políticas
piada. só assim podem ser consideradas as declarações do secretário de saúde do estado do rio grande do sul, osmar terra. não tem explicação. a casa de saúde mantém-se, a duras penas, por um consórcio que envolve a cooperativa que administra o hospital, a prefeitura de santa maria e o governo do estado. é inacreditável o que aconteceu hoje. a secretaria de saúde, que tem repasses mensais específicos destinados à instituição, está atrasando os pagamentos desde meados de 2005. todos sabem, e a mídia divulga insistentemente, das dificuldades que vive a administração estadual, mas esse atraso está resultando no não pagamento de salário para os funcionários e, obviamente, em muitas dificuldades no atendimento.
pois o secretário terra saiu-se com essa hoje, em declaração a radio cdn: “santa maria precisa de um hospital com mais leitos e que não esteja sujeito a intervenções ou leilões como a casa de saúde... a casa de saúde não é prioridade”. por favor. será que o secretário não pensa nem um pouco no que está dizendo?
é mais do que óbvio que santa maria precisa de um hospital de primeira linha, que atenda aos cidadãos com o máximo de dignidade. mas nossa cidade precisa desse hospital tanto quanto qualquer outra cidade gaúcha. a casa de saúde é o melhor que se pode esperar? com certeza não. mas é o que existe e, enquanto essa ronha do hospital regional não for resolvida, é lá que muitas pessoas buscarão o atendimento que necessitam.
decepcionante. é o mínimo que se pode dizer. o secretário terra, que vem desempenhando um trabalho interessante na secretaria de saúde, numa das poucas áreas que não estão caóticas no governo atual, pisou na bola. será que quem não pode pagar um convênio particular está preocupado com a briga eleitoral que se avizinha com a chegada desse 2006? certamente que não.
pois o secretário terra saiu-se com essa hoje, em declaração a radio cdn: “santa maria precisa de um hospital com mais leitos e que não esteja sujeito a intervenções ou leilões como a casa de saúde... a casa de saúde não é prioridade”. por favor. será que o secretário não pensa nem um pouco no que está dizendo?
é mais do que óbvio que santa maria precisa de um hospital de primeira linha, que atenda aos cidadãos com o máximo de dignidade. mas nossa cidade precisa desse hospital tanto quanto qualquer outra cidade gaúcha. a casa de saúde é o melhor que se pode esperar? com certeza não. mas é o que existe e, enquanto essa ronha do hospital regional não for resolvida, é lá que muitas pessoas buscarão o atendimento que necessitam.
decepcionante. é o mínimo que se pode dizer. o secretário terra, que vem desempenhando um trabalho interessante na secretaria de saúde, numa das poucas áreas que não estão caóticas no governo atual, pisou na bola. será que quem não pode pagar um convênio particular está preocupado com a briga eleitoral que se avizinha com a chegada desse 2006? certamente que não.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
segunda-feira, janeiro 23, 2006
tristezas...
tempo atrás, num momento meio confuso da vida, me vi numa mesa de bar com alguns amigos, num daqueles papos transcedentais-cabeça. depois de algumas cervejihas dançarem nos copos de requeijão, repicando por várias nuances da alma humana, despejo a pérola: “a gente nasce triste e sempre vai ser triste. o que tenta fazer é maquiar a tristeza ao máximo durante a vida”. não me lembro se a frase foi essa (pelo avançado da hora e o número de garrafas em cima da mesa, provavelmente não tenha sido), mas volta e meia acabo me lembrando disso.
todo bom depressivo (se é que bom depressivo é uma coisa plausível) tem momentos de extrema felicidade intercalados com extremas tristezas. como nada vem fácil, é meio óbvio que os momentos extremamente tristes são muito mais freqüentes e os felizes vêm com uma fugacidade cruel, feito moça nova que encosta o lábios e sai correndo.
mas de nada adianta ficar chorando mágoas, escorrendo pelos cantos, fugindo da realidade. a vida vive (com o perdão da redundância) uma relação de troca intensa conosco, quase como um swing. é uma merda mesmo. o negócio é conseguir perceber que até os momentos mais torturantes, quando parece que em vez de pisar na merda se mergulha nela, trazem alguma coisa que vai servir em alguma outra ocasião.
triste, tudo sempre vai ser. a graça de acordar de manhã sabendo que vai ser mais um dia comum. que nada vai acontecer pra balançar a alma. que os mesmos sorrisos vão bater aos olhos. que todos vão estar do mesmo jeito. que as mesmas brigas vão acontecer pelos mesmos motivos fúteis. a graça disso tudo está em escutar aquela música boba, que não significa nada de mais, botar um sorriso na cara e responder pro vizinho de oitenta e tantos anos, que todo o santo dia faz a mesma pergunta:
- óóó, cume qui vai a luta?
- Vai bem, vai bem...
... e continuar maquiando a tristeza com um pouquinho de felicidade.
todo bom depressivo (se é que bom depressivo é uma coisa plausível) tem momentos de extrema felicidade intercalados com extremas tristezas. como nada vem fácil, é meio óbvio que os momentos extremamente tristes são muito mais freqüentes e os felizes vêm com uma fugacidade cruel, feito moça nova que encosta o lábios e sai correndo.
mas de nada adianta ficar chorando mágoas, escorrendo pelos cantos, fugindo da realidade. a vida vive (com o perdão da redundância) uma relação de troca intensa conosco, quase como um swing. é uma merda mesmo. o negócio é conseguir perceber que até os momentos mais torturantes, quando parece que em vez de pisar na merda se mergulha nela, trazem alguma coisa que vai servir em alguma outra ocasião.
triste, tudo sempre vai ser. a graça de acordar de manhã sabendo que vai ser mais um dia comum. que nada vai acontecer pra balançar a alma. que os mesmos sorrisos vão bater aos olhos. que todos vão estar do mesmo jeito. que as mesmas brigas vão acontecer pelos mesmos motivos fúteis. a graça disso tudo está em escutar aquela música boba, que não significa nada de mais, botar um sorriso na cara e responder pro vizinho de oitenta e tantos anos, que todo o santo dia faz a mesma pergunta:
- óóó, cume qui vai a luta?
- Vai bem, vai bem...
... e continuar maquiando a tristeza com um pouquinho de felicidade.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
a cara do inter
cansei. às vésperas da libertadores da américa, a crônica esportiva e parte dos torcedores do internacional exageram na exigência de um espírito platino no time do inter. não posso concordar com um absurdo desses. por trás desse argumento “argentino” está o velho gremismo enrustido. por que não se pode ganhar a copa toyota jogando um futebol genuinamente brasileiro? não faltarão os que dizem que “futebol alegre não ganha libertadarores”. será? o time do flamengo, campeão do mundo, talvez o melhor time do Brasil na história, ao lado do santos de 60 e do inter de 70, ganhou - e muito bem - o campeonato. dirão que aquele time era fora de série. pois bem, times da bolívia e da colômbia também já ganharam a taça continental e, com certeza, não eram o que se pode chamar de retranqueiros.
a cara do inter não é uma cara platina. a cara do inter é, sim, alegre. e isso não é demérito. o colorado é o time do povo. o verdadeiro time do povo. a cara do inter não é aquela da bandeira da alemanha. muito menos aquela do país vizinho que não suporta negros e eliminou todos eles ao longo de suas guerras, praticamente dizimando uma etnia.
e essa cara alegre, bem mestiça – mais preta do que branca - foi a primeira cara gaúcha que ganhou do corinthians em são paulo, ainda na década de 60. foi a primeira a ganhar uma competição de nível nacional. foi também, pasmem, a primeira a jogar uma libertadores e também a primeira a chegar na final dessa competição. não ganhou, mas isso numa época em que valia mais jogar o gauchão. o grêmio ganhou, e com essa cara platina. méritos para o time da azenha.
mas o inter não é assim. e a vida não gira em torno dessa competição, isso só serve pra consumo doméstico. o inter tem, por obrigação, ganhar a libertadores com sua cara. com renteria imitando saci quando faz gol. com iarley, quase um anão, no ataque. com chiquinho, habilidoso, baixinho e raçudo, nascido na periferia. chega de pensar futebol como o time da segunda pensa. a cara do inter não pode mudar. nossa identidade é essa e é assim que ganharemos a américa.
a cara do inter não é uma cara platina. a cara do inter é, sim, alegre. e isso não é demérito. o colorado é o time do povo. o verdadeiro time do povo. a cara do inter não é aquela da bandeira da alemanha. muito menos aquela do país vizinho que não suporta negros e eliminou todos eles ao longo de suas guerras, praticamente dizimando uma etnia.
e essa cara alegre, bem mestiça – mais preta do que branca - foi a primeira cara gaúcha que ganhou do corinthians em são paulo, ainda na década de 60. foi a primeira a ganhar uma competição de nível nacional. foi também, pasmem, a primeira a jogar uma libertadores e também a primeira a chegar na final dessa competição. não ganhou, mas isso numa época em que valia mais jogar o gauchão. o grêmio ganhou, e com essa cara platina. méritos para o time da azenha.
mas o inter não é assim. e a vida não gira em torno dessa competição, isso só serve pra consumo doméstico. o inter tem, por obrigação, ganhar a libertadores com sua cara. com renteria imitando saci quando faz gol. com iarley, quase um anão, no ataque. com chiquinho, habilidoso, baixinho e raçudo, nascido na periferia. chega de pensar futebol como o time da segunda pensa. a cara do inter não pode mudar. nossa identidade é essa e é assim que ganharemos a américa.
sábado, janeiro 07, 2006
meu avô
nunca tive uma relação fantástica com o pai da minha mãe, meu avô darci. ele nunca foi do estilo bonachão, não fazia muitas brincadeiras. na realidade meu avô era muito sério. desde novo sempre foi muito econômico, sempre pensando em poupar. somos de origem alemã nesse lado da família. imigrantes pobres, o que deve ter feito a infância dele não ter sido das mais agradáveis. minha bisavó casou cedo e forçada, com um homem mais velho, que acabou morrendo quando meu avô ainda era jovem. dona ida, como era chamanda, acabou virando uma mulher amarga, sem muita alegria de viver, ficando esclerosada já na velhice. e minha bisavó sempre morou com meu avô, filho único. mesmo depois que ele casou e minha mãe e meus tios nasceram. engraçado nessa vida é como os opostos se atraem e, acho eu, se completam. minha avó, hilária, é absurdamente o oposto do meu avô. ela sim é bonachona e faz todas as vontades dos netos. e essa postura dela sempre aumentou e potencializou a brabeza do meu avô.
durante alguns anos eu e minha mãe moramos na casa dos meu avós. bem, não era bem na mesma casa (graças a deus, para a sanidade mental de todos), era numa casa que ficava no mesmo terreno, atrás da casa deles. minha bisavó ainda era viva e já estava esclerosada, o que elevou o nível de conflito entre eu, guri de nove anos, e meu avô, homem de setenta, já acometido da doença nos rins que o levou a fazer hemodiálise durante anos. as brigas eram constantes e, geralmente, por motivos muito, mas muito idiotas. naquela época eu realmente não gostava muito do meu avô.
o engraçado aqui é que eu comecei a mudar essa minha visão do meu avô, de autoritário e insensível, exatamente no dia em que nos mudamos da casa deles para um apartamento no bairro teresópolis. foi o velho quem nos levou enquanto o caminhão da mudança ia e, na última das idas e vindas, quando realmente íamos ficar para arrumar as coisas, aconteceu. no corredor do prédio (impressionate como tenho essa imagem viva na minha cabeça) ele, meio balbuciante, disse que não precisávamos ter nos mudado, nos abraçou e virou as costas chorando, em silêncio. não sei o que aconteceu àquela hora, mas sempre gosto de acreditar que ele viu que as coisas não precisavam ser do jeito que eram, que a vida, apesar de ser muito, não precisava sempre ser tão amarga e triste.
óbvio que nos anos que se passaram ele continuou ranzinza e implicante. mas alguma coisa eu acho que mudou. não era tanto como era antes. e não sou eu quem vai esperar que alguém de setenta e tantos anos mude o jeito de ser duma hora pra outra.
meu avô faleceu há quatro anos e meio. há um tempo já morávamos aqui em santa maria e eu, por uma decisão idiota dessas que a gente toma na vida, não fui no enterro. não sei por que escrevo sobre ele, nem o que quero fazer com isso. talvez seja um descargo de consciência ou saudade mesmo. apenas gosto de pensar que ele morreu, depois de tanto sofrimento pelas constantes infecções, doenças e dificuldades da vida, sabendo que todos que cercavam ele o amavam muito e sabiam que ele, do jeito singular que só ele tinha, amava a todos também.
durante alguns anos eu e minha mãe moramos na casa dos meu avós. bem, não era bem na mesma casa (graças a deus, para a sanidade mental de todos), era numa casa que ficava no mesmo terreno, atrás da casa deles. minha bisavó ainda era viva e já estava esclerosada, o que elevou o nível de conflito entre eu, guri de nove anos, e meu avô, homem de setenta, já acometido da doença nos rins que o levou a fazer hemodiálise durante anos. as brigas eram constantes e, geralmente, por motivos muito, mas muito idiotas. naquela época eu realmente não gostava muito do meu avô.
o engraçado aqui é que eu comecei a mudar essa minha visão do meu avô, de autoritário e insensível, exatamente no dia em que nos mudamos da casa deles para um apartamento no bairro teresópolis. foi o velho quem nos levou enquanto o caminhão da mudança ia e, na última das idas e vindas, quando realmente íamos ficar para arrumar as coisas, aconteceu. no corredor do prédio (impressionate como tenho essa imagem viva na minha cabeça) ele, meio balbuciante, disse que não precisávamos ter nos mudado, nos abraçou e virou as costas chorando, em silêncio. não sei o que aconteceu àquela hora, mas sempre gosto de acreditar que ele viu que as coisas não precisavam ser do jeito que eram, que a vida, apesar de ser muito, não precisava sempre ser tão amarga e triste.
óbvio que nos anos que se passaram ele continuou ranzinza e implicante. mas alguma coisa eu acho que mudou. não era tanto como era antes. e não sou eu quem vai esperar que alguém de setenta e tantos anos mude o jeito de ser duma hora pra outra.
meu avô faleceu há quatro anos e meio. há um tempo já morávamos aqui em santa maria e eu, por uma decisão idiota dessas que a gente toma na vida, não fui no enterro. não sei por que escrevo sobre ele, nem o que quero fazer com isso. talvez seja um descargo de consciência ou saudade mesmo. apenas gosto de pensar que ele morreu, depois de tanto sofrimento pelas constantes infecções, doenças e dificuldades da vida, sabendo que todos que cercavam ele o amavam muito e sabiam que ele, do jeito singular que só ele tinha, amava a todos também.
quinta-feira, janeiro 05, 2006
jorge wagner renova com internacional
e o fax chegou. depois de um mês de expectativa pela liberação do atleta baiano, o internacional recebeu hoje a confirmação do lokomotiv moscou e anunciou a permanência de jorge wagner até agosto de 2006. jogador colorado desde janeiro de 2005, wagner teve desempenho mediano no ano passado, não correspondendo às expectativas criadas em torno de seu futebol. acusado de tremer em jogos decisivos e já desacreditado por parte da torcida, wagner terá a verdadeira chance de mostrar seu valor nesse novo ano. improvisado por muricy ramalho na lateral esquerda, posição onde nunca havia atuado antes, o meia foi prejudicado pela necessidade de jogar defensivamente, num esquema que o prejudicava em detrimento do pseudo-craque élder granja. soma-se a isso algumas lesões que o impediram de adquirir ritmo e uma fase técnica realmente ruim.
agora sob o comando de abel, com quem trabalhou no bahia e que tem confiança plena nas suas capacidades, resta esperar dele a resposta que não veio em 2005. bola no pé ele tem, mas será que será o suficiente para levar o inter à uma campanha exitosa numa competição exigente como a libertadores da américa? o internacional parece seguir a receita do grêmio, não gastando muito e apostando em motivação e conjunto para chegar às vitórias. mas convém lembrar que motivação e conjunto sem qualidade não adianta nada.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
rosas
depois do brilhante texto de abertura abaixo, vou tentar encher linguiça com um escrito antigo, acho que de 2003, enquanto descubro o que faço com esse tal de blog...
há braços
rosas
o tempo passava devagar naquele ano. ficávamos horas jogando conversa fora e bebendo nos bares mais sujos e perigosos da cidade. quando ele morreu nada mais sobrou de engraçado nas nossas noites. era um cara legal, bebia bastante e sempre sabia falar a coisa certa no momento certo. o erro foi ter conhecido aquela mulher. tudo mudou desde então: não bebia mais, não viajava, dormia bem todas as noites, trabalhava e até pensava em ter filhos.
um dia chegou em casa e pegou a vagabunda com dois caras na cama. poderia ser uma história comum. não foi. ele não era herói – e sabia disso. ela não era santa – e sabia disso. mas mesmo assim sentia por ele algo que nunca tinha sentido por ninguém: - eu sinto pena de ti, ela disse, quando ele entrou pela porta do quarto com um buquê de rosas que tinha comprado para comemorar o aniversário de casamento. eu também, respondeu, virando as costas e saindo até a cozinha. dois minutos depois, voltou. foi até a cama e apontou uma faca pro pescoço dela, olhou pros garotões e mandou eles darem o fora.os caras se mandaram.
ele, então, cruzou fundo o olhar, apertou o peito contra o dela, e fez um corte no próprio braço. o sangue começava a formar uma poça em cima da cama, quando pegou o buquê de rosas e disse, olhando para as pernas trêmulas da mulher: - agora, come cada pétala e bebe todo sangue que sair de mim. ela tentou reagir, mas o fio da faca na garganta convenceu-a a fazer o que ele mandava. comeu uma por uma das pétalas e bebeu cada gota de sangue que saía do braço dele. e então as pétalas acabaram. ela o olhou, com a boca rubra, quando de repente ele lhe deu um beijo e enfiou a faca na barriga dela, com toda força que pôde. ela olhou pra ele e sussurrou, quase sem forças: - eu tenho pena de ti. eu também – ele respondeu cortando a jugular com um fino toque da faca.
o tempo tem passado devagar ultimamente. ficamos horas bebendo e jogando conversa fora nos bares mais sujos e perigosos da cidade. hoje faz três anos que ele morreu. em toda mesa que sentamos, existe um buquê de rosas vermelhas.
meio pesado prum início...mas vá lá...
há braços
rosas
o tempo passava devagar naquele ano. ficávamos horas jogando conversa fora e bebendo nos bares mais sujos e perigosos da cidade. quando ele morreu nada mais sobrou de engraçado nas nossas noites. era um cara legal, bebia bastante e sempre sabia falar a coisa certa no momento certo. o erro foi ter conhecido aquela mulher. tudo mudou desde então: não bebia mais, não viajava, dormia bem todas as noites, trabalhava e até pensava em ter filhos.
um dia chegou em casa e pegou a vagabunda com dois caras na cama. poderia ser uma história comum. não foi. ele não era herói – e sabia disso. ela não era santa – e sabia disso. mas mesmo assim sentia por ele algo que nunca tinha sentido por ninguém: - eu sinto pena de ti, ela disse, quando ele entrou pela porta do quarto com um buquê de rosas que tinha comprado para comemorar o aniversário de casamento. eu também, respondeu, virando as costas e saindo até a cozinha. dois minutos depois, voltou. foi até a cama e apontou uma faca pro pescoço dela, olhou pros garotões e mandou eles darem o fora.os caras se mandaram.
ele, então, cruzou fundo o olhar, apertou o peito contra o dela, e fez um corte no próprio braço. o sangue começava a formar uma poça em cima da cama, quando pegou o buquê de rosas e disse, olhando para as pernas trêmulas da mulher: - agora, come cada pétala e bebe todo sangue que sair de mim. ela tentou reagir, mas o fio da faca na garganta convenceu-a a fazer o que ele mandava. comeu uma por uma das pétalas e bebeu cada gota de sangue que saía do braço dele. e então as pétalas acabaram. ela o olhou, com a boca rubra, quando de repente ele lhe deu um beijo e enfiou a faca na barriga dela, com toda força que pôde. ela olhou pra ele e sussurrou, quase sem forças: - eu tenho pena de ti. eu também – ele respondeu cortando a jugular com um fino toque da faca.
o tempo tem passado devagar ultimamente. ficamos horas bebendo e jogando conversa fora nos bares mais sujos e perigosos da cidade. hoje faz três anos que ele morreu. em toda mesa que sentamos, existe um buquê de rosas vermelhas.
meio pesado prum início...mas vá lá...
terça-feira, janeiro 03, 2006
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